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O que é BPA e como mantê-lo longe dos seus alimentos

O BPA sempre foi um aditivo frequentemente utilizado no processo de fabricação de plásticos. Hoje ele é motivo de grande preocupação.

02 janeiro 2024
Alimentos embalaos em recipientes plásticos.

BPA é o nome comercial da substância bisphenol-A (bisfenol-A em português). O BPA é um aditivo químico utilizado pelas indústrias no processo de fabricação de policarbonatos e resinas desde os anos 60. O BPA é utilizado para conferir mais resistência a produtos plásticos, como: garrafas e recipientes, produtos enlatados (no revestimento interno das latas), tubulações, CDs e DVDs, produtos de higiene, para além de muitos outros.

Nos anos 90, começaram a surgir as primeiras controvérsias sobre o uso dessa substância em embalagens e recipientes de alimentos, devido ao elevado risco de contaminação. Em março de 1997, um estudo do pesquisador Fred vom Saal, da universidade de Missouri-Columbia, nos Estados Unidos, aponta para uma correlação entre a exposição ao BPA e problemas da próstata. Ao longo dos 11 anos seguintes, mais de 100 estudos científicos viriam a detetar outros riscos relacionados ao BPA, elevando ainda mais o nível de alerta.

Quais os riscos relacionados ao BPA

<BULLET> Alterações hormonais: alguns estudos relataram que o BPA pode mimetizar o efeito de uma hormona no corpo, causando alterações no desenvolvimento de fetos, bebés e crianças.

<BULLET> Problemas neurológicos e comportamentais: o National Toxicoly Program da FDA americana já expressou preocupação sobre os possíveis feitos do BPA no cérebro e em alterações comportamentais de bebés e crianças.

<BULLET> Hipogonadismo: um estudo, publicado em 2015, sugeriu que o BPA é capaz de interferir no processo de produção hormonal testicular em adultos do sexo masculino.

<BULLET> Cancros: alguns estudos em animais demonstraram uma possível correlação entre a exposição ao BPA e ao aumento do risco de diversos tipos de cancro.

<BULLET> Obesidade: um estudo publicado em 2012, demonstrou uma quantidade maior de BPA na urina de crianças com obesidade.

Risco elevado para as crianças: alguns estudos verificaram que os efeitos negativos do BPA são mais acentuados em bebés e crianças. Como os seus corpos ainda estão em desenvolvimento, têm mais dificuldade em eliminar substâncias tóxicas.

O BPA ainda é utilizado pela indústria?

Sim. O BPA ainda é amplamente utilizado na indústria química em geral. Entretanto, desde 2011 ficou estabelecido que na fabricação de qualquer produto plástico que entre em contacto com os alimentos, o seu limite não pode exceder 0.05 mg/kg.

Em junho de 2011, a regulação europeia nº 10/2011 determinou a proibição do BPA na fabricação de produtos infantis (crianças até 3 anos), como biberões e tetinas.

Todos os recipientes plásticos tem BPA?

Não. Diversos produtos e recipientes de alimentos anunciados no mercado são BPA-free, pois não contém BPA no seu processo de fabricação.

Os recipientes plásticos BPA-free são 100% seguros?

Não necessariamente. Veja os nomes de algumas substâncias que são utilizadas como alternativas ao BPA: BPS, BPF, BPAF, BPZ, BPP, BHPF, etc. Notou alguma semelhança? Todos começam com as letras “BP” pois possuem o mesmo radical químico: o bisfenol. Apesar de muitos estudos terem sido feitos com o BPA, poucos estudos investigaram essas novas substâncias que passaram a ser utilizadas como alternativas.

Um dos estudos que levantou suspeita sobre os produtos BPA-free foi conduzido em 2018 pela pesquisadora Patricia Hunt, da universidade de Washington, nos Estados Unidos. O estudo utilizava ratos para investigar o efeito do BPA em seu processo reprodutivo. Para efeitos de comparação, os ratos estavam divididos em dois grupos: um dos grupos recebia BPA em sua alimentação e o outro grupo, chamado de “grupo de controle” recebia apenas uma alimentação normal, sem BPA. Para isolar o efeito do BPA, ambos os grupos eram mantidos em caixas do tipo BPA-free. A surpresa no resultado foi o fato dos ratos do grupo de controle também apresentarem problemas genéticos, provavelmente causados pelas caixas consideradas BPA-free em que eram mantidos.

Quando questionada sobre os produtos BPA-free pela revista científica Current Biology (vol 22, nº 20), Patricia Hunt respondeu (tradução livre): “no final das contas isso foi uma ótima ferramenta de marketing. A indústria descobriu que pode alterar minimamente a molécula e tecnicamente ela não é mais BPA – e você ainda paga mais por isso, sem saber que talvez não seja uma alternativa mais segura”.

Todos os tipos de plástico utilizam BPA (ou bisfenol) em sua fabricação?

Ilustração com os 7 tipos de plásticos e suas denominações.
As 7 classificações de plástico para a indústria de reciclagem

Não. Alguns tipos de plástico não utilizam BPA em sua fabricação. Vamos detalhar a seguir cada um dos tipos e seus riscos. Os tipos 3 (PVC) e 7 (outros) podem conter BPA em sua fabricação. Isso não significa dizer que todos os outros tipos de plástico são seguros.

Tipo 1 (PET)

Polietileno tereftalato (PET). Muito utilizados em garrafas de água e bebidas em geral. Esse plástico é um dos mais seguros, desde que seja mantido longe do calor. Não utilizam BPA ou qualquer bisfenol em sua fabricação.

Tipo 2 (PEAD)

São feitos polietileno de alta densidade (PEAD ou HDPE). Muito utilizados em galões de leite e suco, detergente e latas de lixo. São mais resistentes que o tipo 1 (PET). Normalmente tem cores opacas (não são transparentes) e são relativamente seguros com baixo risco de contaminação.

Tipo 3 (PVC)

O cloreto de polivinilo (PVC) é utilizado para fazer filmes plásticos para embalar alimentos, garrafas de óleo de cozinha, cortinas de banho, colchões infláveis e tubulações. Podem conter BPA e certamente contém ftalatos que também são considerados tóxicos em sua composição.

Tipo 4 (PEBD)

O polietileno de baixa densidade (PEBD ou LDPE) é utilizado para fazer sacolas plásticas, algumas embalagens de alimentos, garrafas do tipo “squeeze” e sacos de pão. São relativamente seguros do ponto de vista de sua toxicidade. O principal problema desses plásticos é ambiental. Não são recicláveis e acumulam-se aos montes nos aterros de lixo.

Tipo 5 (PP)

O polipropileno (PP) é frequente utilizado para fazer embalagens de iogurte, vasos de ketchup, acessórios de cozinha e alguns dizem que são seguros para irem ao micro-ondas. Isso é dito pois, esse tipo de plástico é bastante resistente ao calor, mas ainda assim é sempre preferível aquecer os alimentos em recipientes de vidro.

Tipo 6 (PS)

O poliestireno (PS) é muito utilizado na fabricação de esferovite e de algumas embalagens de alimentos prontos. Libera substâncias extremamente tóxicas ao ser aquecido. Para além disso, também é muito difícil de ser reciclado.

Tipo 7 (outros)

O tipo 7 basicamente pode ser qualquer outro tipo de plástico que não sejam dos tipos 1 a 6. O policarbonato está nessa categoria e pode conter BPA em sua composição. Pela variedade de materiais, é muito difícil reciclar uma embalagem que esteja nessa categoria. Por esses motivos, devem ser evitados.

Como evitar o BPA

A principal forma de contacto com o BPA é através da ingestão dos alimentos que foram contaminados por suas embalagens e recipientes. Deste modo, temos que observar em quais embalagens estão a ser vendidos os alimentos que compramos no mercado e também onde guardamos os alimentos que preparamos em casa. Além disso, algumas dicas podem ajudar a evitar que o BPA e outras substâncias químicas presentes na embalagem passem para o alimento.

Prefira embalagens e recipientes e embalagens de vidro: essa é a dica mais importante. O vidro não utiliza BPA em seu processo de fabricação e para além disso, é uma alternativa muito mais ecológica.

Nunca aqueça recipientes plásticos no micro-ondas: ao aquecer o alimento, o recipiente também se aquece e pode liberar maiores quantidades de BPA.

Não coloque alimentos muito quentes diretamente em recipientes plásticos: apesar de não ter ido ao micro-ondas, a comida quente pode provocar o mesmo efeito mencionado acima.

Deite fora qualquer produto plástico que esteja danificado. Os plásticos são porosos e ao ficaram velhos e danificados podem liberar maior quantidade de substâncias tóxicas. Para além disso, podem soltar pedaços de microplástico, que podem contaminar os alimentos.

Agora que leu o nosso artigo, esperamos que tenha aprendido mais sobre os riscos do BPA e dos plásticos em geral quando entram em contacto com o nosso alimento. Lembre-se: prefira sempre os recipientes de vidro. São melhores para a sua saúde e para o meio ambiente.

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